No beco
O eco
o tempo perdido que foi
No beco
O eco
a vida roubada que te dei
No beco
O eco
que me grita
Desiste.
Num close up fotográfico
abstrato, sem definição
O que vês, o que viste
Na semelhança das palavras escritas há muito tempo, na profundidade de um olhar fotografado, no dramatismo dos pigmentos escolhidos
Terá toda a arte a sorte de guardar todos os sentimentos passados
Haverá em toda a arte a profundidade de tudo o que fomos.
Como o sabor de umas bolachas de criança, o cheiro de um perfume perdido nas memórias e reencontrado no presente.
Haverá em toda a arte o sufoco e o encanto que sentimos naquele tempo.

Sing me a melody.
Don't drive, stop the car.
Sing me a melody
One that makes me smile and even cry.
Sing me a melody
Fly me over our lives, each centimetre with our fingers, our souls, our bodies.
Sing me a melody.
For the sake of life.
For the sake of love.
For the sake of having me.
Quando te conjugava no passado
Havia uma neblina de início do dia
Cheirava a campo e a mar
Ouvia-se o chilrear mais prometido de Primavera
Passado rimava com véu e lençol e manto
Do teu corpo, do teu abraço.
Imaginado, dado, sonhado.
Passado.
Pedido.
Perdido.
E se te ouvia no já
Tremia
Do negrume
Da queima roupa
Despida que fiquei
Na dor do que acabou
Partido.
Vem,
Por onde fores vem.
Descobre o futuro comigo.
Caminha ao meu lado, aperta-me, prende-me.
Vem,
E no ir das ondas, prende-me ainda mais.
Sentirás o vento desta alma,
O medo que explode.
Vem,
Por onde formos.
Pisaremos os passos que já demos.
Lembraremos os sorrisos que já sorrimos.
Vem,
E no ir das nuvens, aperta-me ainda mais.
Porque a vida me foge sem ti.
De alma, de mãos, de línguas, de corpos.
Saudades da risota debaixo dos lençóis.
Da alegria de uma paixão.
Do silêncio doce de uma paixão.
Saudades.
Há arte e arte
Nasce, sem se saber bem como, manifesta-se sem se saber como.
Canta-se, toca-se, escreve-se, representa-se, pinta-se.
Nasce.
Instrumentos, inspirações, registos.
Directa, oculta.
Nasce.
Abstrata, precisa, realista, fantasiosa.
Telas, cadernos, folhas, cds, cassetes.
Nasce.
Fica, permanece, mais reconhecida, reconhecível, menos.
Fica.
Não sabiam bem há quanto tempo se conheciam, mas sabiam que gostavam um do outro.
Tem graça num mundo de competição e ambição e contas bancárias.
Um fumava, o outro adormecia cedo.
Não sabiam se o outro tinha visitas, não discutiam política.
Era uma amizade recheada de algum vinho, uns cigarros e só muito respeito.
Gostavam da massa cinzenta um do outro e também do trabalho um do outro.
Além disso só talvez a confiança imensa no coração alheio.
Os dias a serem vividos por dois vizinhos, renomados, galardoados, num prédio, numa cidade.
A mesma paixão.
Lá para a praça de Liege, no Porto.