Tinha no teu nome a segurança da queda.
22.11.23
16.10.23
28.8.23
Brincadeira
De alma, de mãos, de línguas, de corpos.
Saudades da risota debaixo dos lençóis.
Da alegria de uma paixão.
Do silêncio doce de uma paixão.
Saudades.
18.8.23
Anónima
Há arte e arte
Nasce, sem se saber bem como, manifesta-se sem se saber como.
Canta-se, toca-se, escreve-se, representa-se, pinta-se.
Nasce.
Instrumentos, inspirações, registos.
Directa, oculta.
Nasce.
Abstrata, precisa, realista, fantasiosa.
Telas, cadernos, folhas, cds, cassetes.
Nasce.
Fica, permanece, mais reconhecida, reconhecível, menos.
Fica.
6.7.23
14.6.23
Me encanta e eu escrevo
Viviam, respiravam e criavam nos mesmos metros quadrados de implantação.
Não sabiam bem há quanto tempo se conheciam, mas sabiam que gostavam um do outro.
Tem graça num mundo de competição e ambição e contas bancárias.
Um fumava, o outro adormecia cedo.
Não sabiam se o outro tinha visitas, não discutiam política.
Era uma amizade recheada de algum vinho, uns cigarros e só muito respeito.
Gostavam da massa cinzenta um do outro e também do trabalho um do outro.
Além disso só talvez a confiança imensa no coração alheio.
Os dias a serem vividos por dois vizinhos, renomados, galardoados, num prédio, numa cidade.
A mesma paixão.
Lá para a praça de Liege, no Porto.
16.5.23
Baila comigo.
Qual a importância de se ouvir a mesma canção, falar a mesma lingua, partilhar o mesmo código postal, ou dançar ao mesmo ritmo?
Onde começa e onde acaba o que temos de ter em comum?
E há ratings do que temos de ter em comum?
Modos à mesa, reação perante a adversidade, drive, silêncios, soluções, princípios (e fins ah), sonhos, contas bancárias, filhos.
E depois ainda há o que não temos de ter em comum mas que queremos e os nossos quereres que vamos encontrando ao longo da vida.
De repente vem-me a AI à cabeça e acho que o futuro é promissor.
12.5.23
Retalhos de músicas
Could it be love.
Could it just be reggae.
Maybe just a passage to Marrakech.
Maybe just a cold tremor before sunrise.
17.4.23
14.4.23
Era sexta.
Às sextas apetecia sestar, aproveitar o ar. Inspirar o azul, torrar.
Lembrava-se das sextas que eram iguais às quintas, porque às quintas já se sabia que vinha a sexta e por isso eram a mesma coisa.
As terças e as quartas eram outra coisa.
Nesses dias podia ser-se sombrio, pensar em castanho, sentir a cinzento.
Nem era supersticiosa mas nesses dias cruzes credo, não se podia falar muito. Se calhar era supersticiosa. Na realidade era supersticiosa e em muitos dias do ano, desde o primeiro ao 31.
Também era de fingimentos.
Tanto fingia que se adormecia, ou embalava na criação. Na eventualidade de um pesadelo se aventurar pela noite dentro destemido, rendia-se à policromia da fingida.
Não tinha maquilhagem, nem sombras, principalmente não tinha sombras. Batom até tinha.
Era livre ou achava que era livre, não fazia grande diferença.
2.3.23
27.1.23
25.1.23
13.1.23
Por cada palavra um suspiro de recreio.
Sempre foram suas as folhas de papel mas nunca as palavras.
As palavras eram roubadas sem data para devolução, sem pena, só com risco.
A prisão era outra, a do receio.
Em cada escolha ficava tanto por dizer, tudo por escrever.
Havia um ar sombrio em quase tudo o que sentia, e depois, havia um ar inocente em tudo o que sentia.
O tempo, a vida, acontecia no recreio dos desafios.



