9.3.26

Vou-te susurrar

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Ficar, ficar era garantido.

A insatisfação do ficar

na perdição da partida

Sabendo que na partida

havia também um regresso

E ser pássaro era melhor

ser pássaro era seguro

Melhor era não procurar

melhor era não querer mais

Aceitar

aceitar e ser feliz

Isso era o segredo.


3.3.26

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As neblinas de Inverno que traziam frio, vontade de caxemira, de braços, abraços e colo, eram dos fenómenos climáticos mais justificados.

2.3.26

Era o teu dia, não sei qual era o teu dia, todos os dias eram teus.

Tu eras minha.

Ainda és minha, desde o vazio que não conheço.

Desse vazio faltava-me o eco.

Do teu riso fácil.

Do teu riso sem medo.

Tinhas muito medo, muitos medos.

Não de rir.

Não da aventura de seres grande e enorme.

Ontem chorámos todos.

Era gratidão pelo vazio que deixaste.

Ocupou tanto, ocupa tanto.

A vida é feita disso, não é?

Da falta que fica no vazio.

23.2.26

Encontrei retalhos teus.

Recados, memórias, versos.

Como um testamento

Musical

Cada palavra qual nota

a tua alma

tu numas folhas de papel

Achadas perdidas

retalhos teus agora meus.

Sempre minha.

13.2.26

Caminho tremido

entre a luz do início de dia 

o escuro do fim da noite

serpenteava ainda o vento em torno da cortina

Cortina solta e nua

A lucidez do lençol contrastava com a tua respiração

Prendes-me

Deixas-me

E amanhece cada vez mais rápido

Enquanto te afasto 

num sopro de inverno

Havia muitos anos.

9.2.26


Diálogo silencioso

De palavras perdidas no tempo

no vento

Tu não dizias e eu ouvia

Tu dizias e eu não ouvia

Surdez de sombras

Visitavas quem foste

Num tempo que não seria.

5.2.26

Record de felicidade

Num poema, num abraço, num orgasmo, num mergulho, numa esperança, num passeio, numa inspiração, num segredo, numa onda, numa árvore, numa chama.


3.2.26

Cronologia












Só havia passado e futuro.

Animais


Quando o instinto vem primeiro.


Foram os teus olhos?

Foi a tua voz?

Foi o teu corpo?

Foi a tua alma?


O que vem primeiro no processo do encantamento

e o que vem por fim no processo do desencantamento.


Animais.


O que nos chama

e o que nos afasta.


Depois de afastados, há futuro


O que me diz a amígdala.

23.1.26

Lock me


 

Ando a plantar o teu jardim. Ando a tratar das buganvilias e dos vasos, abandonados há quase dois anos.

Tomo café com as tuas amigas, calço os teus sapatos, visito o teu marido, dou de comer ao teu gato.

E lembro-me de tudo e penso em tudo e revivo tudo mas nada resolve este meu faz de conta.

Assim vou, continuando a inventar os teus passos presentes.

A sombra do meu corpo em janeiro era mais fria.

A sombra da minha alma em janeiro era mais quente.

E a lareira fazia-me chorar.


7.1.26

Cheers big ears

Nos dias de cama

Meus e teus

Soltava-se a hiperbole


11.11.25

. ou ...


.

E assim, com todos os avisos e com o tempo que o tempo nos deu, partiste.

E esta partida não é uma partida qualquer.

É uma partida que quero sentir todos os dias da minha vida.É uma saudade que quero que bata à porta a cada raio de sol, a cada gota de chuva, a cada sopro do vento.

Não me visitas em sonhos, não me dás sinais, não te sinto.

Só te perdi.

E perdi-te tanto.

Quase tanto como te amei, te amo.

2.9.25

Ainda rimos.

No meio das tuas inspirações quase artificiais ainda rimos e queria congelar no tempo esse riso.

Um riso já descabelado, sem baton encarnado mas ainda assim um som que não quero perder.

Vai fazer-me tanta falta.

E ao mesmo tempo que quero que partas, que partas leve, quero prender-te com uma ancora e não te deixar seguir.

E ao mesmo tempo que te quero leve e livre e solta, quero segurar-te para sempre.

É muito cedo mãe.

2.7.25

Vinha-me ao ouvido aquela música "please don't go, don't go, don't go away".

E não era só o sol de Julho, nem o vento de levante, nem os campos dourados, nem nada, trás tu.

Não vás. Não vás ainda.

A perda é uma merda e vivemos e sobrevivemos mesmo quando não queremos sobreviver.

Uma merda e vou ter saudades deste verão, e de ontem e de anteontem.

Saudades de tudo o que foi e de que por vir me fará falta.

Don't go, please don't go.

 

 

27.5.25

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O quadrante da lua reflectia, no meu lado mais sombrio, o peso ausente da tua mão sobre a minha coxa.

A maré vazia expunha o peso derrotado do meu corpo sem o teu.

O tufão desnudava, a cru, a minha alma seca com a tua partida.

Tudo isto aconteceu numa tempestade, há muito tempo.

E nunca mais voltaste.

10.4.25

No beco

O eco

o tempo perdido que foi

No beco

O eco

a vida roubada que te dei

No beco 

O eco

que me grita

Desiste.

Num close up fotográfico 

abstrato, sem definição

O que vês, o que viste

Na semelhança das palavras escritas há muito tempo, na profundidade de um olhar fotografado, no dramatismo dos pigmentos escolhidos

Terá toda a arte a sorte de guardar todos os sentimentos passados

Haverá em toda a arte a profundidade de tudo o que fomos.

Como o sabor de umas bolachas de criança, o cheiro de um perfume perdido nas memórias e reencontrado no presente.

Haverá em toda a arte o sufoco e o encanto que sentimos naquele tempo.


21.2.25


 Saudade. 

20.2.25

Me.

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Sing me a melody.

Don't drive, stop the car. 

Sing me a melody

One that makes me smile and even cry.

Sing me a melody

Fly me over our lives, each centimetre with our fingers, our souls, our bodies.

Sing me a melody.

For the sake of life.

For the sake of love.

For the sake of having me.

Quando te conjugava no passado 

Havia uma neblina de início do dia

Cheirava a campo e a mar

Ouvia-se o chilrear mais prometido de Primavera

Passado rimava com véu e lençol e manto

Do teu corpo, do teu abraço.

Imaginado, dado, sonhado.

Passado.

Pedido.


Perdido.

E se te ouvia no já

Tremia

Do negrume

Da queima roupa

Despida que fiquei

Na dor do que acabou

Partido. 

11.2.25

Ando com medo de escrever.

Se a tinta revelar o medo.

Se a tinta revelar o terror.

como volta a respirar o meu coração 

se o pulmão não bate.

20.9.24

Era sexta-feira.

O ar lá fora cheirava a marés vivas.

Era Setembro.

Aquele mês que se vestia de Janeiro.

E não conto mais porque é sexta-feira. 

6.9.24


 










Há amores que se resolvem no céu.

2.9.24


 

Poesia-me.

23.8.24

Vem,

Por onde fores vem.

Descobre o futuro comigo.

Caminha ao meu lado, aperta-me, prende-me.

Vem, 

E no ir das ondas, prende-me ainda mais.

Sentirás o vento desta alma, 

O medo que explode.

Vem,

Por onde formos.

Pisaremos os passos que já demos.

Lembraremos os sorrisos que já sorrimos.

Vem, 

E no ir das nuvens, aperta-me ainda mais.

Porque a vida me foge sem ti.

15.7.24

Não escrevo.

Não escrevo mais.

Porque os dias são longos e as noites são curtas de mais.

Não, não escrevo mais.

Porque os dias são curtos e as noites tardam em passar.

Não, não escrevo mais.

De eterno chega-me o fim.

3.4.24


 











Camadas

Layers

Que pomos que tiramos

De sofrimento, de proteção

De roupa que despimos rapidamente para outros braços nos cobrirem

De vidas, de dias, de anos, de passados

Camadas

Layers



27.3.24












O corpo

Flutuava

Pesava

Caia

Colapso de cinzas

Num dia de ventania

Sombria

21.2.24

 Na noite mais só as células multiplicavam-se.

22.11.23

 Tinha no teu nome a segurança da queda.

16.10.23

Em Outubro o tempo era brilhante mas chegava o escuro.

Este Outubro chegava com o escuro a tragédia do homem.

Assim como o Inverno que se adivinha nas casas pobres, molhadas e vazias.

Os bolsos rotos.

Os sacos vazios.

É dificil querer mudar toda a tristeza do mundo.


28.8.23

Brincadeira

De alma, de mãos, de línguas, de corpos.

Saudades da risota debaixo dos lençóis.

Da alegria de uma paixão.

Do silêncio doce de uma paixão.

Saudades.


18.8.23

Anónima

Há arte e arte

Nasce, sem se saber bem como, manifesta-se sem se saber como.

Canta-se, toca-se, escreve-se, representa-se, pinta-se.

Nasce.

Instrumentos, inspirações, registos.

Directa, oculta.

Nasce.

Abstrata, precisa, realista, fantasiosa. 

Telas, cadernos, folhas, cds, cassetes.

Nasce.

Fica, permanece, mais reconhecida, reconhecível, menos.

Fica.


6.7.23

Havia dias em que os barcos ficavam no mar mais tempo. 

Havia dias em que me apetecia ser barco e ficar na costa mais tempo. 

Havia tempos em que costa era tempo de férias, outros em que as tuas costas eram conforto e outros em que te queria ver pelas costas. 


14.6.23

Me encanta e eu escrevo


Viviam, respiravam e criavam nos mesmos metros quadrados de implantação.

Não sabiam bem há quanto tempo se conheciam, mas sabiam que gostavam um do outro.

Tem graça num mundo de competição e ambição e contas bancárias.

Um fumava, o outro adormecia cedo.

Não sabiam se o outro tinha visitas, não discutiam política.

Era uma amizade recheada de algum vinho, uns cigarros e só muito respeito.

Gostavam da massa cinzenta um do outro e também do trabalho um do outro. 

Além disso só talvez a confiança imensa no coração alheio.

Os dias a serem vividos por dois vizinhos, renomados, galardoados, num prédio, numa cidade.

A mesma paixão. 

Lá para a praça de Liege, no Porto.

16.5.23


Baila comigo.

Qual a importância de se ouvir a mesma canção, falar a mesma lingua, partilhar o mesmo código postal, ou dançar ao mesmo ritmo?

Onde começa e onde acaba o que temos de ter em comum?

E há ratings do que temos de ter em comum?

Modos à mesa, reação perante a adversidade, drive, silêncios, soluções, princípios (e fins ah), sonhos, contas bancárias, filhos.

E depois ainda há o que não temos de ter em comum mas que queremos e os nossos quereres que vamos encontrando ao longo da vida.

De repente vem-me a AI à cabeça e acho que o futuro é promissor.


12.5.23

Retalhos de músicas

Could it be love.

Could it just be reggae.

Maybe just a passage to Marrakech.

Maybe just a cold tremor before sunrise.


17.4.23


 

Primavera afogada de ti. 

14.4.23

Era sexta.

Às sextas apetecia sestar, aproveitar o ar. Inspirar o azul, torrar.

Lembrava-se das sextas que eram iguais às quintas, porque às quintas já se sabia que vinha a sexta e por isso eram a mesma coisa.

As terças e as quartas eram outra coisa.

Nesses dias podia ser-se sombrio, pensar em castanho, sentir a cinzento.

Nem era supersticiosa mas nesses dias cruzes credo, não se podia falar muito. Se calhar era supersticiosa. Na realidade era supersticiosa e em muitos dias do ano, desde o primeiro ao 31.

Também era de fingimentos.

Tanto fingia que se adormecia, ou embalava na criação. Na eventualidade de um pesadelo se aventurar pela noite dentro destemido, rendia-se à policromia da fingida.

Não tinha maquilhagem, nem sombras, principalmente não tinha sombras. Batom até tinha.

Era livre ou achava que era livre, não fazia grande diferença.



2.3.23

I wish I could cover my ears and be deaf. I wish I could be mute too. I wish time would be taken from me and tomorrow was only goodbye.

8.2.23

o ecrã nos olhos

os ouvidos nas teclas

o coração no social

assim media-se a vida.

27.1.23

Não sabia dar xoxos.

Sempre estivera com homens comprometidos, o beijo era já sexo.

Não sabia dar xoxos nem despir-se lentamente.

Porque eu tenho de deixar para a posteridade que girls rock.

Bloody hell man are slow.

Desabafos de uma mulher trabalhadora.

25.1.23


Havia a dos 7, a dos 30, a dos 80.

A linha da idade é percorrida sem paragem.

Somos todas, sou todas.

Tenho pena da que chegou antes do tempo, da que partiu antes do tempo.

Pena de tudo que é antes do tempo.

Nenhuma ficou para além do tempo.

Ainda.

13.1.23

Por cada palavra um suspiro de recreio.

Sempre foram suas as folhas de papel mas nunca as palavras.

As palavras eram roubadas sem data para devolução, sem pena, só com risco.

A prisão era outra, a do receio.

Em cada escolha ficava tanto por dizer, tudo por escrever.

Havia um ar sombrio em quase tudo o que sentia, e depois, havia um ar inocente em tudo o que sentia.

O tempo, a vida, acontecia no recreio dos desafios.

12.1.23

Queria ler-te o futuro. 

Dizer te amanhã.

Fechar as janelas.


27.12.22

acendiam-se luzes

Rasgava-se papel

Rolavam lágrimas desorientadas

na estrada

era o final do ano

tudo chegava ao fim 

Adeus e inicio

infinito de mim.

1.12.22

Escurecia lá fora, os pássaros, sem medo, faziam do vento o caminho.

O inverno é assim, escuro.

Rima com partida, com frio, com fim, com solidão e morte.

O inverno é assim, escuro, com intervalos.

Nos intervalos.

O inverno é grande.

19.8.22













E nas noites bem dormidas

Ouvia mais os gritos da solidão.


28.7.22

Amanhã fazes 21 anos.

Amanhã sou mãe há quase 22 anos.

Quis-te mesmo quando podias não poder nascer, sem hesitar.

Não te amamentei e isso custa-me, mas fui a que te adormeceu quando lutavas até ao segundo final contra a sono.

Amanhã faz 21 anos que te tornaste a minha vida.

Digo, a coisa mais importante da minha vida.

E quis ser a melhor, a mais dedicada, a que cria mais memórias, a que te dá o melhor colo, te enche o coração de amor, de mimo.  

E saltaste em poças e pintaste com os pés e foste borboleta e o Pai Natal escrevia-te e tiveste toda a magia que soube criar.

Essa foi a tua vida quando era minha e essa foi a minha vida.

Ser a que mais te poupa da dor e não quer dias cinzentos na tua vida.

Para o bem e para o mal esse é também o meu amar, desfazer cada problema e querer que seja leve ou descomplicado cada passo teu.

Fui a que te ensinou a ler, a que estudou contigo e por ti.

A que te cozinhou, te embalou, te ouviu, te aplaudiu.

Também aquela que te puxou do fundo, mais do que uma vez porque a vida não é fácil.

A que te limpou as lágrimas, te defendeu, lutou por ti na escola, no recreio, onde foi preciso.

A que te deu força quando não a tinha, pintou o mundo de rosa quando o via negro.

Te protegeu do medo quando tremia com ele.

A que vê as tuas cores, a tua honestidade, a tua esperteza, a tua gentileza, a tua força, a tua determinação, a tua vulnerabilidade, a tua insegurança.

E amanhã são 21 anos e 21 anos já são muitos anos.

Já deviam ser anos suficientes para me quereres bem. Para saberes que quero o melhor para ti. Para saberes que também mereço o melhor e que não sou perfeita e isso é ok.

Amanhã são 21 anos e 21 anos cheios de muita coisa boa, de alguns desafios, mas de uma constante, estive sempre ao teu lado.

Vou estar sempre ao teu lado. Do meu jeito, com as minhas qualidades e os meus defeitos, mas sempre ao teu lado.

E quero dias da mãe e quero mimos e quero agradecimentos e quero colo e quero alegria e amizade e programas a duas e gargalhadas a duas e uma vida de mãe e filha que honre cada ano que vivemos juntas.

Porque já basta o dia em que a vida ou a morte nos separará.

5.7.22

Era nas que não te dizia

Era nas que não ouvia

Era nas que não escrevia

Era nas que não podia pensar

Era nessas que estava o futuro.

3.7.22

Painting the world











I'm pretending

Just pretending

Pretending that you're on my side
Pretending everything is open wide
Pretending you're not just along for the ride
Pretending it can't be tonight
Just pretending
Just pretending

Van the Man

8.6.22





















Vinha cada vez mais rápido

O verão

As cerejas nem tinham tempo

3.6.22

 Profundo silêncio 

quando a distância te silencia

Profundo silencio

ritmado pelo rebentar do coração

Qual maré perdida.

16.5.22

20.4.22

7.3.22

 

Amamos em quantas línguas?

27.2.22

O meu segredo

Há uma solidão justificada, aquela das quatro paredes, aquela do silêncio indesejado, aquela das noites vazias.

Depois há aquela solidão que não se pode perder, aquela que é sinal laranja e nos protege de nós mesmos.


2.2.22

Queria os livros.

Os que estavam por ler, os que tinham sido lidos, os que estavam por acabar, os que estavam por escrever.

Queria os livros e as histórias dos livros. Os romances, os poemas, os dramas-

Queria os livros.

As lombadas, os tipos de letra, a ramagem das folhas.

Queria os livros.

As personagens, os cenários, as cores.

Queria os outros para não estar.



16.1.22

Covid

Que as paredes nunca me encolham a alma.

16.12.21

 A morte não dá jeito nenhum.


1.12.21

Singular

Sentia a sombra 

das gaivotas 

que sobrevoava a sua alma.


11.10.21

CV

Eu sabia o teu cheiro, o teu sabor, a tua pele.

Eu sabia o teu sono, a tua fome, o teu medo. 

Eu sabia o teu orgulho, o teu vento, a tua alma. 

Eu sabia o teu cabelo, o teu mergulho, o teu andar.

Eu sabia as tuas mãos, a tua boca, o teu inglês.

Eu sabia a tua procura, a tua perda, o teu calar. 

Eu sabia o teu amar, o teu sofrer, o teu querer. 

Eu só não podia saber o teu adeus. 

9.10.21

 

How do you remember me?

6.9.21

Quando me chamas por outro nome queres-me a mim ou honestamente segues o coração.


21.8.21

Matamos o tempo?

7.8.21

 

Nuno Artur Silva

4.8.21

 

Say no more.

3.8.21






















Demorados os dias que despem memórias
Ou lembram um passado presente. 

2.8.21

Escrever para descrever o peso da tua mão

O amparo do teu abraço

O segredo do teu colo

30.7.21

 Qual é a cor do silêncio?

30.6.21

Pouco.

Tanto.

Tanto que não respiro.

Pouco que não me chego.


28.3.21

No dia em que te vi
Ou quando me beijaste
Naquele dia
Sem vidros sem cercas
Havia café ou chá
No dia em que te vi
Ou quando me beijaste
O tempo devia ter parado. 

8.3.21

My darling the silence
No universo do ruido, o silencio.
O teu silencio.

10.2.21

Entre as quatro paredes havia uma muralha

Numa muralha escondia as minhas asas.

Havia tempo para voar e tempo para recolher

A recolha era mais funda quanto maior o medo da prisão

Quanto maior o medo da fuga

As quatro paredes

As paredes

As muralhas

refugios falsos do mundo

Onde só se ouve um nome

Onde só houve um nome.

3.2.21

Quero apenas cinco coisas...
Primeiro é o amor sem fim
A segunda é ver o outono
A terceira é o grave inverno
Em quarto lugar o verão
A quinta coisa são teus olhos
Não quero dormir sem teus olhos.
Não quero ser... sem que me olhes.
Abro mão da primavera para que continues me olhando.
Neruda 

23.1.21

Quanto menos dizias mais eu te ouvia. 

13.1.21

Este tempo pede abraços. 

11.1.21

Pandã

A alegria

A liberdade

A glória

Da escolha das palavras para o papel

3.1.21



E quando o ano nasce. 
Há uma dor que vem da dor 
Não se consegue explicar nem parar
Se calhar podia evitar se
Se calhar não. 
Ha uma dor que dói mais do que o que foi. 
Uma dor carregada de um passado que merece palavrão. 

21.12.20

Sempre. Para sempre.

A noite abre os seus ângulos de lua
E em todas as paredes te procuro
A noite ergue as suas esquinas azuis
E em todas as esquinas te procuro
A noite abre as suas praças solitárias
E em todas as solidões eu te procuro
Ao longo do rio a noite acende as suas luzes
Roxas verdes azuis.
Eu te procuro.

Sophia 

8.12.20

Aniversário 
Dia de contar dias
E anos
Dia de perder anos


7.12.20

E a ausência pesa mais que a presença. 

5.12.20

Depois de todas as luas
Depois de todas as marés
Depois de todas as estações
Aí, ainda, te procurarei. 

3.12.20

as palavras
não dizem o mundo
 
dizem o desejo
de dizer o mundo

Luis Ene

26.11.20

Faltavam as nuvens que adivinham a chuva e marcam o fim do passeio. 
Sem elas era ainda um caminho. 

21.11.20

Máscaras dos dias
Não se limpam lágrimas
Não se revelam mágoas
Não se beijam sorrisos
Mascarados nós, os outros
Todos
E o futuro só existe no papel

Vidência

A certeza das vírgulas e dos finais, das reticências e dos pontos e vírgula. 
Sinais a pontuar as linhas dos cadernos ou as palmas das mãos. 

11.11.20


For all the tears that come from laughter. 

7.11.20

Pressentimento de futuro a cada passo que fica por dar. 

29.10.20

 Uma ode ao mar porque ainda é outubro. 


Come talk to me. 

Da procura por um filho, da perda de outro.

Talk to me.

Daquelas dores enterradas, perdidas e sempre achadas.

Das traições e dos perdões e do balanço de tanta dor.

Come talk to me.

Da vida e do que nos rouba, do que nos dá.

Da vida que é amarga.

Da vida que é pouca.

Come talk to me.

Das derrotas e sobretudo das máscaras.

Das máscaras das máscaras das máscaras.

 

27.10.20

A expectativa.

Tramada.

Na espera, no desejo, na vontade, na perda.

Safada.

A corajosa.

 

2.10.20

Antes das saudades acabarem há ainda mais saudades.

e mesmo quando o fim está a chegar chegam retalhos de pedaços de tempos de saudades felizes.

São umas vendidas as saudades.

E são umas vendedoras de corações.


29.9.20

Eu queria ser do tempo em que o tempo não era contato

Eu queria ser do tempo em que as estações mandavam mais

Eu queria ser do tempo em que as árvores tinham mais cor e menos forma

Eu queria ser do tempo em que o sonho do amor podia ser verdadeiro

Eu queria ser do tempo em que os sonhos se escreviam em cartas

Eu queria ser do tempo em que havia musas e poetas sem vida

Eu queria ser do tempo em que não pedíamos muito porque o pouco já o era

Eu queria ser do tempo em que morriamos novos e havia menos adeus a dizer. 

25.9.20

Paredes meias

Dias acabados

semana perdida

16.9.20


Bukowski

15.9.20

 Há palavras que se atravessam no meu caminho.

Como cheiros que nos revisitam ou sabores que trazem passado.

Há palavras que se atravessam no meu caminho.

Como destino que não posso contornar.

 

14.9.20



A soma das nossas decisões. 

11.9.20




and just like that 

8.9.20

O Cais sem conjugação

É onde chegamos

É de onde partimos

7.9.20

SoS

Um código nas ditas. 
Um código nas por dizer. 

3.9.20

yeah sure


Ainda há dores sem palavras

não são magoas, nem ressentimentos, nem zangas, nem sofrimentos.

E são isso tudo. 

Ainda há sentires sem palavras e é nesses sentires que o ser cresce e é nessa procura que o ser se descobre.

2.9.20

 Ausencia de pensamento

neste canto 

virada para mim

sentir não vale a pena

se a pena são metades

virada para mim

nas velas da minha

Alma.

1.9.20

Se

setembro.

setembro.

Setembro.


28.8.20

 

E volto a Sophia. 
E a vida me volta sempre que me volto a ela.
Vivia instantes no mar e eu nela.