Era sexta.
Às sextas apetecia sestar, aproveitar o ar. Inspirar o azul, torrar.
Lembrava-se das sextas que eram iguais às quintas, porque às quintas já se sabia que vinha a sexta e por isso eram a mesma coisa.
As terças e as quartas eram outra coisa.
Nesses dias podia ser-se sombrio, pensar em castanho, sentir a cinzento.
Nem era supersticiosa mas nesses dias cruzes credo, não se podia falar muito. Se calhar era supersticiosa. Na realidade era supersticiosa e em muitos dias do ano, desde o primeiro ao 31.
Também era de fingimentos.
Tanto fingia que se adormecia, ou embalava na criação. Na eventualidade de um pesadelo se aventurar pela noite dentro destemido, rendia-se à policromia da fingida.
Não tinha maquilhagem, nem sombras, principalmente não tinha sombras. Batom até tinha.
Era livre ou achava que era livre, não fazia grande diferença.
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