14.4.23

Era sexta.

Às sextas apetecia sestar, aproveitar o ar. Inspirar o azul, torrar.

Lembrava-se das sextas que eram iguais às quintas, porque às quintas já se sabia que vinha a sexta e por isso eram a mesma coisa.

As terças e as quartas eram outra coisa.

Nesses dias podia ser-se sombrio, pensar em castanho, sentir a cinzento.

Nem era supersticiosa mas nesses dias cruzes credo, não se podia falar muito. Se calhar era supersticiosa. Na realidade era supersticiosa e em muitos dias do ano, desde o primeiro ao 31.

Também era de fingimentos.

Tanto fingia que se adormecia, ou embalava na criação. Na eventualidade de um pesadelo se aventurar pela noite dentro destemido, rendia-se à policromia da fingida.

Não tinha maquilhagem, nem sombras, principalmente não tinha sombras. Batom até tinha.

Era livre ou achava que era livre, não fazia grande diferença.



No comments:

Post a Comment