23.2.26

Encontrei retalhos teus.

Recados, memórias, versos.

Como um testamento

Musical

Cada palavra qual nota

a tua alma

tu numas folhas de papel

Achadas perdidas

retalhos teus agora meus.

Sempre minha.

13.2.26

Caminho tremido

entre a luz do início de dia 

o escuro do fim da noite

serpenteava ainda o vento em torno da cortina

Cortina solta e nua

A lucidez do lençol contrastava com a tua respiração

Prendes-me

Deixas-me

E amanhece cada vez mais rápido

Enquanto te afasto 

num sopro de inverno

Havia muitos anos.

9.2.26


Diálogo silencioso

De palavras perdidas no tempo

no vento

Tu não dizias e eu ouvia

Tu dizias e eu não ouvia

Surdez de sombras

Visitavas quem foste

Num tempo que não seria.

5.2.26

Record de felicidade

Num poema, num abraço, num orgasmo, num mergulho, numa esperança, num passeio, numa inspiração, num segredo, numa onda, numa árvore, numa chama.


3.2.26

Cronologia












Só havia passado e futuro.

Animais


Quando o instinto vem primeiro.


Foram os teus olhos?

Foi a tua voz?

Foi o teu corpo?

Foi a tua alma?


O que vem primeiro no processo do encantamento

e o que vem por fim no processo do desencantamento.


Animais.


O que nos chama

e o que nos afasta.


Depois de afastados, há futuro


O que me diz a amígdala.

23.1.26

Lock me


 

Ando a plantar o teu jardim. Ando a tratar das buganvilias e dos vasos, abandonados há quase dois anos.

Tomo café com as tuas amigas, calço os teus sapatos, visito o teu marido, dou de comer ao teu gato.

E lembro-me de tudo e penso em tudo e revivo tudo mas nada resolve este meu faz de conta.

Assim vou, continuando a inventar os teus passos presentes.

A sombra do meu corpo em janeiro era mais fria.

A sombra da minha alma em janeiro era mais quente.

E a lareira fazia-me chorar.


7.1.26

Cheers big ears

Nos dias de cama

Meus e teus

Soltava-se a hiperbole


11.11.25

. ou ...


.

E assim, com todos os avisos e com o tempo que o tempo nos deu, partiste.

E esta partida não é uma partida qualquer.

É uma partida que quero sentir todos os dias da minha vida.É uma saudade que quero que bata à porta a cada raio de sol, a cada gota de chuva, a cada sopro do vento.

Não me visitas em sonhos, não me dás sinais, não te sinto.

Só te perdi.

E perdi-te tanto.

Quase tanto como te amei, te amo.

2.9.25

Ainda rimos.

No meio das tuas inspirações quase artificiais ainda rimos e queria congelar no tempo esse riso.

Um riso já descabelado, sem baton encarnado mas ainda assim um som que não quero perder.

Vai fazer-me tanta falta.

E ao mesmo tempo que quero que partas, que partas leve, quero prender-te com uma ancora e não te deixar seguir.

E ao mesmo tempo que te quero leve e livre e solta, quero segurar-te para sempre.

É muito cedo mãe.

2.7.25

Vinha-me ao ouvido aquela música "please don't go, don't go, don't go away".

E não era só o sol de Julho, nem o vento de levante, nem os campos dourados, nem nada, trás tu.

Não vás. Não vás ainda.

A perda é uma merda e vivemos e sobrevivemos mesmo quando não queremos sobreviver.

Uma merda e vou ter saudades deste verão, e de ontem e de anteontem.

Saudades de tudo o que foi e de que por vir me fará falta.

Don't go, please don't go.

 

 

27.5.25

This may contain: a woman with a small anchor tattoo on her left side chest and right arm behind her back

O quadrante da lua reflectia, no meu lado mais sombrio, o peso ausente da tua mão sobre a minha coxa.

A maré vazia expunha o peso derrotado do meu corpo sem o teu.

O tufão desnudava, a cru, a minha alma seca com a tua partida.

Tudo isto aconteceu numa tempestade, há muito tempo.

E nunca mais voltaste.

10.4.25

No beco

O eco

o tempo perdido que foi

No beco

O eco

a vida roubada que te dei

No beco 

O eco

que me grita

Desiste.

Num close up fotográfico 

abstrato, sem definição

O que vês, o que viste

Na semelhança das palavras escritas há muito tempo, na profundidade de um olhar fotografado, no dramatismo dos pigmentos escolhidos

Terá toda a arte a sorte de guardar todos os sentimentos passados

Haverá em toda a arte a profundidade de tudo o que fomos.

Como o sabor de umas bolachas de criança, o cheiro de um perfume perdido nas memórias e reencontrado no presente.

Haverá em toda a arte o sufoco e o encanto que sentimos naquele tempo.


21.2.25


 Saudade. 

20.2.25

Me.

This may contain: black and white photograph of the word flickr spelled out with foil balloons in front of a wall

Sing me a melody.

Don't drive, stop the car. 

Sing me a melody

One that makes me smile and even cry.

Sing me a melody

Fly me over our lives, each centimetre with our fingers, our souls, our bodies.

Sing me a melody.

For the sake of life.

For the sake of love.

For the sake of having me.

Quando te conjugava no passado 

Havia uma neblina de início do dia

Cheirava a campo e a mar

Ouvia-se o chilrear mais prometido de Primavera

Passado rimava com véu e lençol e manto

Do teu corpo, do teu abraço.

Imaginado, dado, sonhado.

Passado.

Pedido.


Perdido.

E se te ouvia no já

Tremia

Do negrume

Da queima roupa

Despida que fiquei

Na dor do que acabou

Partido. 

11.2.25

Ando com medo de escrever.

Se a tinta revelar o medo.

Se a tinta revelar o terror.

como volta a respirar o meu coração 

se o pulmão não bate.