3.2.26

Animais


Quando o instinto vem primeiro.


Foram os teus olhos?

Foi a tua voz?

Foi o teu corpo?

Foi a tua alma?


O que vem primeiro no processo do encantamento

e o que vem por fim no processo do desencantamento.


Animais.


O que nos chama

e o que nos afasta.


Depois de afastados, há futuro


O que me diz a amígdala.

23.1.26

Lock me


 

Ando a plantar o teu jardim. Ando a tratar das buganvilias e dos vasos, abandonados há quase dois anos.

Tomo café com as tuas amigas, calço os teus sapatos, visito o teu marido, dou de comer ao teu gato.

E lembro-me de tudo e penso em tudo e revivo tudo mas nada resolve este meu faz de conta.

Assim vou, continuando a inventar os teus passos presentes.

A sombra do meu corpo em janeiro era mais fria.

A sombra da minha alma em janeiro era mais quente.

E a lareira fazia-me chorar.


7.1.26

Cheers big ears

Nos dias de cama

Meus e teus

Soltava-se a hiperbole


11.11.25

. ou ...


.

E assim, com todos os avisos e com o tempo que o tempo nos deu, partiste.

E esta partida não é uma partida qualquer.

É uma partida que quero sentir todos os dias da minha vida.É uma saudade que quero que bata à porta a cada raio de sol, a cada gota de chuva, a cada sopro do vento.

Não me visitas em sonhos, não me dás sinais, não te sinto.

Só te perdi.

E perdi-te tanto.

Quase tanto como te amei, te amo.

2.9.25

Ainda rimos.

No meio das tuas inspirações quase artificiais ainda rimos e queria congelar no tempo esse riso.

Um riso já descabelado, sem baton encarnado mas ainda assim um som que não quero perder.

Vai fazer-me tanta falta.

E ao mesmo tempo que quero que partas, que partas leve, quero prender-te com uma ancora e não te deixar seguir.

E ao mesmo tempo que te quero leve e livre e solta, quero segurar-te para sempre.

É muito cedo mãe.

2.7.25

Vinha-me ao ouvido aquela música "please don't go, don't go, don't go away".

E não era só o sol de Julho, nem o vento de levante, nem os campos dourados, nem nada, trás tu.

Não vás. Não vás ainda.

A perda é uma merda e vivemos e sobrevivemos mesmo quando não queremos sobreviver.

Uma merda e vou ter saudades deste verão, e de ontem e de anteontem.

Saudades de tudo o que foi e de que por vir me fará falta.

Don't go, please don't go.

 

 

27.5.25

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O quadrante da lua reflectia, no meu lado mais sombrio, o peso ausente da tua mão sobre a minha coxa.

A maré vazia expunha o peso derrotado do meu corpo sem o teu.

O tufão desnudava, a cru, a minha alma seca com a tua partida.

Tudo isto aconteceu numa tempestade, há muito tempo.

E nunca mais voltaste.

10.4.25

No beco

O eco

o tempo perdido que foi

No beco

O eco

a vida roubada que te dei

No beco 

O eco

que me grita

Desiste.

Num close up fotográfico 

abstrato, sem definição

O que vês, o que viste

Na semelhança das palavras escritas há muito tempo, na profundidade de um olhar fotografado, no dramatismo dos pigmentos escolhidos

Terá toda a arte a sorte de guardar todos os sentimentos passados

Haverá em toda a arte a profundidade de tudo o que fomos.

Como o sabor de umas bolachas de criança, o cheiro de um perfume perdido nas memórias e reencontrado no presente.

Haverá em toda a arte o sufoco e o encanto que sentimos naquele tempo.


21.2.25


 Saudade. 

20.2.25

Me.

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Sing me a melody.

Don't drive, stop the car. 

Sing me a melody

One that makes me smile and even cry.

Sing me a melody

Fly me over our lives, each centimetre with our fingers, our souls, our bodies.

Sing me a melody.

For the sake of life.

For the sake of love.

For the sake of having me.

Quando te conjugava no passado 

Havia uma neblina de início do dia

Cheirava a campo e a mar

Ouvia-se o chilrear mais prometido de Primavera

Passado rimava com véu e lençol e manto

Do teu corpo, do teu abraço.

Imaginado, dado, sonhado.

Passado.

Pedido.


Perdido.

E se te ouvia no já

Tremia

Do negrume

Da queima roupa

Despida que fiquei

Na dor do que acabou

Partido. 

11.2.25

Ando com medo de escrever.

Se a tinta revelar o medo.

Se a tinta revelar o terror.

como volta a respirar o meu coração 

se o pulmão não bate.

20.9.24

Era sexta-feira.

O ar lá fora cheirava a marés vivas.

Era Setembro.

Aquele mês que se vestia de Janeiro.

E não conto mais porque é sexta-feira. 

6.9.24


 










Há amores que se resolvem no céu.

2.9.24


 

Poesia-me.

23.8.24

Vem,

Por onde fores vem.

Descobre o futuro comigo.

Caminha ao meu lado, aperta-me, prende-me.

Vem, 

E no ir das ondas, prende-me ainda mais.

Sentirás o vento desta alma, 

O medo que explode.

Vem,

Por onde formos.

Pisaremos os passos que já demos.

Lembraremos os sorrisos que já sorrimos.

Vem, 

E no ir das nuvens, aperta-me ainda mais.

Porque a vida me foge sem ti.

15.7.24

Não escrevo.

Não escrevo mais.

Porque os dias são longos e as noites são curtas de mais.

Não, não escrevo mais.

Porque os dias são curtos e as noites tardam em passar.

Não, não escrevo mais.

De eterno chega-me o fim.