2.9.25

Ainda rimos.

No meio das tuas inspirações quase artificiais ainda rimos e queria congelar no tempo esse riso.

Um riso já descabelado, sem baton encarnado mas ainda assim um som que não quero perder.

Vai fazer-me tanta falta.

E ao mesmo tempo que quero que partas, que partas leve, quero prender-te com uma ancora e não te deixar seguir.

E ao mesmo tempo que te quero leve e livre e solta, quero segurar-te para sempre.

É muito cedo mãe.

2.7.25

Vinha-me ao ouvido aquela música "please don't go, don't go, don't go away".

E não era só o sol de Julho, nem o vento de levante, nem os campos dourados, nem nada, trás tu.

Não vás. Não vás ainda.

A perda é uma merda e vivemos e sobrevivemos mesmo quando não queremos sobreviver.

Uma merda e vou ter saudades deste verão, e de ontem e de anteontem.

Saudades de tudo o que foi e de que por vir me fará falta.

Don't go, please don't go.

 

 

27.5.25

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O quadrante da lua reflectia, no meu lado mais sombrio, o peso ausente da tua mão sobre a minha coxa.

A maré vazia expunha o peso derrotado do meu corpo sem o teu.

O tufão desnudava, a cru, a minha alma seca com a tua partida.

Tudo isto aconteceu numa tempestade, há muito tempo.

E nunca mais voltaste.

10.4.25

No beco

O eco

o tempo perdido que foi

No beco

O eco

a vida roubada que te dei

No beco 

O eco

que me grita

Desiste.

Num close up fotográfico 

abstrato, sem definição

O que vês, o que viste

Na semelhança das palavras escritas há muito tempo, na profundidade de um olhar fotografado, no dramatismo dos pigmentos escolhidos

Terá toda a arte a sorte de guardar todos os sentimentos passados

Haverá em toda a arte a profundidade de tudo o que fomos.

Como o sabor de umas bolachas de criança, o cheiro de um perfume perdido nas memórias e reencontrado no presente.

Haverá em toda a arte o sufoco e o encanto que sentimos naquele tempo.


21.2.25


 Saudade. 

20.2.25

Me.

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Sing me a melody.

Don't drive, stop the car. 

Sing me a melody

One that makes me smile and even cry.

Sing me a melody

Fly me over our lives, each centimetre with our fingers, our souls, our bodies.

Sing me a melody.

For the sake of life.

For the sake of love.

For the sake of having me.

Quando te conjugava no passado 

Havia uma neblina de início do dia

Cheirava a campo e a mar

Ouvia-se o chilrear mais prometido de Primavera

Passado rimava com véu e lençol e manto

Do teu corpo, do teu abraço.

Imaginado, dado, sonhado.

Passado.

Pedido.


Perdido.

E se te ouvia no já

Tremia

Do negrume

Da queima roupa

Despida que fiquei

Na dor do que acabou

Partido. 

11.2.25

Ando com medo de escrever.

Se a tinta revelar o medo.

Se a tinta revelar o terror.

como volta a respirar o meu coração 

se o pulmão não bate.

20.9.24

Era sexta-feira.

O ar lá fora cheirava a marés vivas.

Era Setembro.

Aquele mês que se vestia de Janeiro.

E não conto mais porque é sexta-feira. 

6.9.24


 










Há amores que se resolvem no céu.

2.9.24


 

Poesia-me.

23.8.24

Vem,

Por onde fores vem.

Descobre o futuro comigo.

Caminha ao meu lado, aperta-me, prende-me.

Vem, 

E no ir das ondas, prende-me ainda mais.

Sentirás o vento desta alma, 

O medo que explode.

Vem,

Por onde formos.

Pisaremos os passos que já demos.

Lembraremos os sorrisos que já sorrimos.

Vem, 

E no ir das nuvens, aperta-me ainda mais.

Porque a vida me foge sem ti.

15.7.24

Não escrevo.

Não escrevo mais.

Porque os dias são longos e as noites são curtas de mais.

Não, não escrevo mais.

Porque os dias são curtos e as noites tardam em passar.

Não, não escrevo mais.

De eterno chega-me o fim.

3.4.24


 











Camadas

Layers

Que pomos que tiramos

De sofrimento, de proteção

De roupa que despimos rapidamente para outros braços nos cobrirem

De vidas, de dias, de anos, de passados

Camadas

Layers



27.3.24












O corpo

Flutuava

Pesava

Caia

Colapso de cinzas

Num dia de ventania

Sombria

21.2.24

 Na noite mais só as células multiplicavam-se.

22.11.23

 Tinha no teu nome a segurança da queda.

16.10.23

Em Outubro o tempo era brilhante mas chegava o escuro.

Este Outubro chegava com o escuro a tragédia do homem.

Assim como o Inverno que se adivinha nas casas pobres, molhadas e vazias.

Os bolsos rotos.

Os sacos vazios.

É dificil querer mudar toda a tristeza do mundo.


28.8.23

Brincadeira

De alma, de mãos, de línguas, de corpos.

Saudades da risota debaixo dos lençóis.

Da alegria de uma paixão.

Do silêncio doce de uma paixão.

Saudades.