21.3.18

Foi a poesia recta
Limitada
Controlada
Afogada
Cinzenta e cansada
Medida

A  real
Branca
Candida
Nua
Regrada pura solta
Triste

A grande
Os grandes
Os puros
Amargurados
Suicidas
Enamorados

Que fizeram este dia
Que fazem e desfazem este dia. 

Prato do Dia



Be one




Almas

18.3.18

O masculino mais doce

O Amor

Estou a amar-te como o frio 
corta os lábios. 

A arrancar a raiz 
ao mais diminuto dos rios. 
A inundar-te de facas, 
de saliva esperma lume. 
Estou a rodear de agulhas 
a boca mais vulnerável 
A marcar sobre os teus flancos 
o itinerário da espuma 
Assim é o amor: mortal e navegável. 

Eugenio

17.3.18

Voices


Talking to me. 


14.3.18

O controlo das palavras é talvez o único controlo que vale a pena. 

13.3.18

Easy.

Only if I could be the sea. 

5.3.18

Do poder das reticências que olvidam as lutas de Pablo.

(...) (...) (...)

Pero
si cada día, 
cada hora
sientes que a mí estás destinada 
con dulzura implacable.
Si cada día sube 
una flor a tus labios a buscarme, 
ay amor mío, ay mía, 
en mí todo ese fuego se repite, 
en mí nada se apaga ni se olvida, 
mi amor se nutre de tu amor, amada, 
y mientras vivas estará en tus brazos 
sin salir de los míos.


Neruda
Queria dizer
Das pequenas estrelas que escapam pelos meus dedos
Quando a chuva é demorada

Queria cantar
Dos segredos brilhantes da minha alma
Quando sobrevoo em pontas

Queria saber
Do sabor dos teus lábios cujos contornos estão esquecidos
Quando os dias são frios

Queria pedir
Dos desejos o de saber querer e pedir e pedir
Quando me perdoar por ser.

27.2.18

Like that


Não estou certo de que a descoberta do amor seja necessariamente mais deliciosa que a descoberta da poesia.

Memórias de Adriano
Marguerite Yourcenar

26.2.18

Por ler-me, ler-te

Rapidez vacilante
Os teus 
Dos meus        suspiros
Provocados
Aqui           e milhas além
Nas entrelinhas
Batidas de palavras 
Surdas
Perde-se tudo
Nada se pode
Quando tudo se esconde
Nada se pode
Pressinto mais do que sinto
E hoje sente-se adeus. 

São para te ver melhor. 

25.2.18

Noites escuras
gastas
Imanes de perdição
Dualidade de não te querer
Na convicção de somebody
E depois

Partes sempre cedo de mais.

23.2.18

 Ceci n’est pas une histoire d’amour. 

21.2.18

Generaliza pra mim.



It doesn’t mean I do.

19.2.18

Medo. 
Medo do medo que cresce. 
Medo do medo que não diminui. 
Medo porque o medo não sabe parar. 
Filosoficamente interessada nas linhas ténues do interesse. 

9.2.18

I didn't want to kiss you goodbye — that was the trouble — I wanted to kiss you good night — and there's a lot of difference.

Noites brancas


5.2.18


E as palavras jogam
Para lá
Para cá
As tuas as minhas
As ditas as não
Elas encontram-se
Elas perdem-se
Criam e matam amor
Valem mais que amor
As palavras
E são vazias

Sem ti. 

3.2.18


Que leveza cabia na minha ausência

2.2.18

Tesouros de baú


Diz-me dos teus dias
Da distancia que te chega
A intermitencia do corpo
O menos sem o mais
mais sem menos
Da doçura lancinante 
Sempre a prestações
Obedeces a sinais
A norte
Onde o amor não conhece a morte.

31.1.18

E escrevia soltos e brancos
Sem rima
Só retalhos de sentimentos por viver
Sombras dos vividos
Mal apagados lá para trás
Mas havias tu
O eu que era para ti
Um mim por desvendar
Guardado
No que o presente traz 
Amanhã. 
Sem futuro. 

Dizia ela


30.1.18

A Lua


A sombra do amor.
?
Persegue-nos 
Nós a ela
?
Translucida
Escura
?
Ora à frente  
Ora atrás 
?
Sombra de fim
De dia
De mim

29.1.18

Havia dias em que queria tanto que houvesses tu.

Because you do.



28.1.18

Hoje.
Queria contar as tuas pegadas na areia.

27.1.18

Song birds everywhere
Qual silêncio no paraíso. 
Assim os teus braços à minha volta. 
Às voltas em mim. 

24.1.18


… de nos teus olhos
tão perto dos meus
descobrir o modo
de beber o céu

David Mourão Ferreira

23.1.18

À Marlon Brando

brincávamos a cair nos braços um do outro
brincávamos a cair nos 
braços um do outro, como faziam 
as actrizes nos filmes com o marlon 
brando, e depois suspirávamos e ríamos 
sem saber que habituávamos o coração à 
dor. queríamos o amor um pelo outro 
sem hesitações, como se a desgraça nos 
servisse bem e, a ver filmes, achávamos que 
o peito era todo em movimento e não 
sabíamos que a vida podia parar um 
dia. eu ainda te disse que me doíam os 
braços e que, mesmo sendo o rapaz, o 
cansaço chegava e instalava-se no meu 
poço de medo. tu rias e caías uma e outra 
vez à espera de acreditares apenas no que 
fosse mais imediato, quando os filmes acabavam, 
quando percebíamos que o mundo era 
feito de distância e tanto tempo vazio, tu 
ficavas muito feminina e abandonada e eu 
sofria mais ainda com isso. estavas tão 
diferente de mim como se já tivesses 
partido e eu fosse apenas um local esquecido 
sem significado maior no teu caminho. tu 
dizias que se morrêssemos juntos 
entraríamos juntos no paraíso e querias 
culpar-me por ser triste de outro modo, um 
modo mais perene, lento, covarde. Eu 
amava-te e julgava bem que amar era 
afeiçoar o corpo ao perigo. caía eu 
nos teus braços, fazias um 
bigode no teu rosto como se fosses o 
marlon brando. eu, que te descobria como se 
descobrem fantasias no inferno, não 
queria ser beijado pelo marlon brando e 
entrava numa combustão modesta que, às 
batidas do meu coração, iluminava o meu 
rosto como lâmpada falhando 

a minha mãe dizia-me, valter tem cuidado, não 
brinques assim, vais partir uma perna, vais 
partir a cabeça, vais partir o 
coração. e estava certa, foi tudo verdade 

valter hugo mãe, in 'contabilidade'

22.1.18

Can’t write hoje. Faltas-me cá. 

Jack ass


21.1.18

Ui.



Dou-te um beijo salgado, em troca de um doce.

17.1.18


"Si tu pouvais lire dans mon coeur, tu verrais la place où je t'ai mise."
Gustave Flaubert

driver














Quando saía um passageiro, tinha a ilusão de que comandava a sua vida, até que entrava outro.

16.1.18

















Because my dreams are blue.
Enchi o comboio de ti.
Estavas em todas as filas, em cada fila.
E disse-te adeus cada carruagem que passava quais dias, horas, meses, anos que se esgotavam.

Depois o comboio chegou ao fim e o tempo do amor também.

15.1.18

Instala-te aqui. 


12.1.18

Cut short


You should have held me longer
I should have stayed longer
You should have tried longer

And time should have taken longer
And love should have lasted 
Longer

10.1.18

E escrever é assim...
E um dia amar e no outro esquecer. 
E um dia chorar e no outro ser leve.
E ser mar e ser lua e ser inverno e verão e inferno e céu.
E fingir é assim...