25.6.18

Please kill the messenger

Era uma vez um instante.
Não era um instante qualquer, era um instante que respirava, que tinha vida e alma e querer. 
Não era fácil ser um instante. 
Mas era uma vez um instante. 
Esse instante encontrou-se no meio dos olhos dele e dos olhos dela e depois, no meio das mãos dele e das mãos dela e dos lábios dele e dos lábios dela e entalado pelo corpo dele e o dela. 
Esse instante já tinha sabor e cor e cheiro mas não tinha nome. 
O instante sem nome era o seu nome. 
E o instante podia rebentar qual bola de sabão ou transformar-se qual casulo. 
E ele respirava e tinha vida e alma e querer e ele e ela não contavam para nada. 
O instante era tudo e tudo era o instante. 
E foi assim, sem saber o seu nome, nem o que fazer de si que do instante nasceu o para sempre. 


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