Há uma solidão justificada, aquela das quatro paredes, aquela do silêncio indesejado, aquela das noites vazias.
Depois há aquela solidão que não se pode perder, aquela que é sinal laranja e nos protege de nós mesmos.
Há uma solidão justificada, aquela das quatro paredes, aquela do silêncio indesejado, aquela das noites vazias.
Depois há aquela solidão que não se pode perder, aquela que é sinal laranja e nos protege de nós mesmos.
Queria os livros.
Os que estavam por ler, os que tinham sido lidos, os que estavam por acabar, os que estavam por escrever.
Queria os livros e as histórias dos livros. Os romances, os poemas, os dramas-
Queria os livros.
As lombadas, os tipos de letra, a ramagem das folhas.
Queria os livros.
As personagens, os cenários, as cores.
Queria os outros para não estar.
Eu sabia o teu cheiro, o teu sabor, a tua pele.
Eu sabia o teu sono, a tua fome, o teu medo.
Eu sabia o teu orgulho, o teu vento, a tua alma.
Eu sabia o teu cabelo, o teu mergulho, o teu andar.
Eu sabia as tuas mãos, a tua boca, o teu inglês.
Eu sabia a tua procura, a tua perda, o teu calar.
Eu sabia o teu amar, o teu sofrer, o teu querer.
Eu só não podia saber o teu adeus.
Entre as quatro paredes havia uma muralha
Numa muralha escondia as minhas asas.
Havia tempo para voar e tempo para recolher
A recolha era mais funda quanto maior o medo da prisão
Quanto maior o medo da fuga
As quatro paredes
As paredes
As muralhas
refugios falsos do mundo
Onde só se ouve um nome
Onde só houve um nome.