
Que as paredes nunca me encolham a alma.
Eu sabia o teu cheiro, o teu sabor, a tua pele.
Eu sabia o teu sono, a tua fome, o teu medo.
Eu sabia o teu orgulho, o teu vento, a tua alma.
Eu sabia o teu cabelo, o teu mergulho, o teu andar.
Eu sabia as tuas mãos, a tua boca, o teu inglês.
Eu sabia a tua procura, a tua perda, o teu calar.
Eu sabia o teu amar, o teu sofrer, o teu querer.
Eu só não podia saber o teu adeus.
Entre as quatro paredes havia uma muralha
Numa muralha escondia as minhas asas.
Havia tempo para voar e tempo para recolher
A recolha era mais funda quanto maior o medo da prisão
Quanto maior o medo da fuga
As quatro paredes
As paredes
As muralhas
refugios falsos do mundo
Onde só se ouve um nome
Onde só houve um nome.