3.8.20

E pedia
sombra e desapego
certezas e finais.
Do futuro
Segredava o vazio
a leveza dos passos
sem gravidade
num espaço que não existia
E por fim não havia fim
e o amor era uma ancora.

6.7.20

Show me your hands


And I will tell you your future.

30.6.20

The reality is the picture; it is most certainly not in the picture"
Georg Baselitz
No point of being photogenic.

20.6.20

Patti Smithando

“Não nos podemos limitar a viver”
Por isso escrevemos. 
Por isso mascaramos o que sentimos e sentimos o que descrevemos.
Por isso batalhamos em palavras e das palavras nos escondemos. 
Assim passa o tempo que nunca passa no papel. 

10.6.20

Far far away is a place in me
Far far away is where my future sleeps
Far far away goodbye meant hello
Far far away the end was always the start
Far far away in the land of never nothing was to happen

Escutar o silêncio no fundo do mar ou 
Só 
Os teus braços de trovão.




























If I write bold does that make me bold?


30.5.20

Por mais

Por mais que te amasse
Havia medo
Medo da dor
Das faltas 
Da distância chegar
Do tempo apagar
Tempo finito
Na certeza do tempo finito 
Se o eu fosses tu, tu serias eu?

26.5.20


















Nem eram encruzilhadas, nem havia jogadas, nem pontos, nem dados.
Era o fim de uma VHS, os 100 metros finais, o fim do rolo, o apagar da vela.
O cansaço tem destas aflições em que nem a meia inspiração se chega.

16.5.20

























Não me auscultes.
Escuta.
Embala-me nos meus silêncios. 
Deixa-me flutuar neste mundo sem barreiras nem fronteiras.
há um fio, um cordel, um laço.
Desde aqui até ai.
Sempre.
Sem medo.
Com vontade, como um voo de regresso a casa na primavera.
Mas deixa-me neste mundo sem barreiras nem fronteiras.
Etérea-
Sem medo.
Só livre.
Demais.
Mas há um fio, um cordel, um laço.
Embala-me nos meus silêncios.
Escuta.
Não me auscultes.
Presa sem me prenderes.
Se me prenderes, sem presa.

30.4.20

On a mission


Como se viesse de outros países
Como se voltasse aos sabores de casa
Como se fosse nua
Despojada
Abandonada
tropeçando ao sabor do vento
Para cair no teu colo de sede.

14.4.20

   Saltitavam perdidas
   Numa roda sem saída
   As meninas de saias rodadas.
Os dias nascem novos.
Os dias crescem novos.
Os dias morrem novos.
Só ontem e amanhã têm tempo.

13.4.20
















Era no silencio que se ouvia.

10.4.20

De todos os cantos
era o da solidão que conseguia ouvir
em rima.

8.4.20

Territorial


   Querer
   O terror do verbo querer
   quem quer não tem
   Não ter é terror
   assim no amor
   assim.

1.4.20

Voltar à caneta nos dias em que os papeis prendem o virus por horas infinitas.
No tempo em que o tempo se conta à velocidade de uma ampulheta entupida.
Quando os meses parecem feitos de anos.
E sossego é o intervalo do aperto e este não tem fim.
Voltar à caneta só porque é um conforto, um consolo e não há mais nada que possa fazer.
Como a ampulheta entupida, dezenas, centenas, milhares de coisas que gostava de fazer, por ti, por ele e por ele e por ela e ela e todos.
Mas estou entupida pela fechadura da porta.

As estações voavam lá fora
Não sabiam os dias nem os meses
Só voavam
Vinham e iam sem plano
Não havia planos
Havia espera
Um mundo em hold.