30.5.20

Por mais

Por mais que te amasse
Havia medo
Medo da dor
Das faltas 
Da distância chegar
Do tempo apagar
Tempo finito
Na certeza do tempo finito 
Se o eu fosses tu, tu serias eu?

26.5.20


















Nem eram encruzilhadas, nem havia jogadas, nem pontos, nem dados.
Era o fim de uma VHS, os 100 metros finais, o fim do rolo, o apagar da vela.
O cansaço tem destas aflições em que nem a meia inspiração se chega.

16.5.20

























Não me auscultes.
Escuta.
Embala-me nos meus silêncios. 
Deixa-me flutuar neste mundo sem barreiras nem fronteiras.
há um fio, um cordel, um laço.
Desde aqui até ai.
Sempre.
Sem medo.
Com vontade, como um voo de regresso a casa na primavera.
Mas deixa-me neste mundo sem barreiras nem fronteiras.
Etérea-
Sem medo.
Só livre.
Demais.
Mas há um fio, um cordel, um laço.
Embala-me nos meus silêncios.
Escuta.
Não me auscultes.
Presa sem me prenderes.
Se me prenderes, sem presa.

30.4.20

On a mission


Como se viesse de outros países
Como se voltasse aos sabores de casa
Como se fosse nua
Despojada
Abandonada
tropeçando ao sabor do vento
Para cair no teu colo de sede.

14.4.20

   Saltitavam perdidas
   Numa roda sem saída
   As meninas de saias rodadas.
Os dias nascem novos.
Os dias crescem novos.
Os dias morrem novos.
Só ontem e amanhã têm tempo.

13.4.20
















Era no silencio que se ouvia.

10.4.20

De todos os cantos
era o da solidão que conseguia ouvir
em rima.

8.4.20

Territorial


   Querer
   O terror do verbo querer
   quem quer não tem
   Não ter é terror
   assim no amor
   assim.

1.4.20

Voltar à caneta nos dias em que os papeis prendem o virus por horas infinitas.
No tempo em que o tempo se conta à velocidade de uma ampulheta entupida.
Quando os meses parecem feitos de anos.
E sossego é o intervalo do aperto e este não tem fim.
Voltar à caneta só porque é um conforto, um consolo e não há mais nada que possa fazer.
Como a ampulheta entupida, dezenas, centenas, milhares de coisas que gostava de fazer, por ti, por ele e por ele e por ela e ela e todos.
Mas estou entupida pela fechadura da porta.

As estações voavam lá fora
Não sabiam os dias nem os meses
Só voavam
Vinham e iam sem plano
Não havia planos
Havia espera
Um mundo em hold.

31.3.20

por um fio


Às vezes paravas de repente e custava muito retomar o passo. 
Custava muito apanhar o teu andamento.
Querias a meta e o caminho era mau.
E cada vez que parávas eu parava e perdia-me nas nuvens.
Nunca os ponteiros batiam juntos.
Não havia caminhos para nós.

17.2.20

De todas as palavras no mundo
De todos os cantos
De todos os ses
De todos os sonhos
De todos os segredos
De todos os enlaces
Seguia-te, 
Ia no balão do teu ar.
Porque ainda não sabia voar.

22.1.20

O bater de asas das borboletas
E a perda das flores de amendoeira
É isso uma tempestade
Em janeiro

11.1.20

E volto à caneta porque é sempre ela que apanha os bocados. 
Vida retalhada entre os As e os Zs. 

9.12.19

Love is Part 1

The life that I have
Is all that I have
And the life that I have
Is yours.
The love that I have
Of the life that I have
Is yours and yours and yours.
A sleep I shall have
A rest I shall have
Yet death will be but a pause.
For the peace of my years
In the long green grass
Will be yours and yours and yours  

23.10.19

Chapter I
I walk down the street.
There is a deep hole in the sidewalk
I fall in.
I am lost ... I am helpless.
It isn't my fault.
It takes me forever to find a way out.
Chapter II
I walk down the same street.
There is a deep hole in the sidewalk.
I pretend I don't see it.
I fall in again.
I can't believe I am in the same place
but, it isn't my fault.
It still takes a long time to get out.
Chapter III
I walk down the same street.
There is a deep hole in the sidewalk.
I see it is there.
I still fall in ... it's a habit.
my eyes are open
I know where I am.
It is my fault.
I get out immediately.
Chapter IV
I walk down the same street.
There is a deep hole in the sidewalk.
I walk around it.
Chapter V
I walk down another street.

Portia Nelson

5.9.19

Sim.

The moment you touch your soul, you become fearless.

Yogi Bhajan