11.11.25

. ou ...


.

E assim, com todos os avisos e com o tempo que o tempo nos deu, partiste.

E esta partida não é uma partida qualquer.

É uma partida que quero sentir todos os dias da minha vida.É uma saudade que quero que bata à porta a cada raio de sol, a cada gota de chuva, a cada sopro do vento.

Não me visitas em sonhos, não me dás sinais, não te sinto.

Só te perdi.

E perdi-te tanto.

Quase tanto como te amei, te amo.

2.9.25

Ainda rimos.

No meio das tuas inspirações quase artificiais ainda rimos e queria congelar no tempo esse riso.

Um riso já descabelado, sem baton encarnado mas ainda assim um som que não quero perder.

Vai fazer-me tanta falta.

E ao mesmo tempo que quero que partas, que partas leve, quero prender-te com uma ancora e não te deixar seguir.

E ao mesmo tempo que te quero leve e livre e solta, quero segurar-te para sempre.

É muito cedo mãe.

2.7.25

Vinha-me ao ouvido aquela música "please don't go, don't go, don't go away".

E não era só o sol de Julho, nem o vento de levante, nem os campos dourados, nem nada, trás tu.

Não vás. Não vás ainda.

A perda é uma merda e vivemos e sobrevivemos mesmo quando não queremos sobreviver.

Uma merda e vou ter saudades deste verão, e de ontem e de anteontem.

Saudades de tudo o que foi e de que por vir me fará falta.

Don't go, please don't go.

 

 

27.5.25

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O quadrante da lua reflectia, no meu lado mais sombrio, o peso ausente da tua mão sobre a minha coxa.

A maré vazia expunha o peso derrotado do meu corpo sem o teu.

O tufão desnudava, a cru, a minha alma seca com a tua partida.

Tudo isto aconteceu numa tempestade, há muito tempo.

E nunca mais voltaste.

10.4.25

No beco

O eco

o tempo perdido que foi

No beco

O eco

a vida roubada que te dei

No beco 

O eco

que me grita

Desiste.

Num close up fotográfico 

abstrato, sem definição

O que vês, o que viste

Na semelhança das palavras escritas há muito tempo, na profundidade de um olhar fotografado, no dramatismo dos pigmentos escolhidos

Terá toda a arte a sorte de guardar todos os sentimentos passados

Haverá em toda a arte a profundidade de tudo o que fomos.

Como o sabor de umas bolachas de criança, o cheiro de um perfume perdido nas memórias e reencontrado no presente.

Haverá em toda a arte o sufoco e o encanto que sentimos naquele tempo.


21.2.25


 Saudade. 

20.2.25

Me.

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Sing me a melody.

Don't drive, stop the car. 

Sing me a melody

One that makes me smile and even cry.

Sing me a melody

Fly me over our lives, each centimetre with our fingers, our souls, our bodies.

Sing me a melody.

For the sake of life.

For the sake of love.

For the sake of having me.

Quando te conjugava no passado 

Havia uma neblina de início do dia

Cheirava a campo e a mar

Ouvia-se o chilrear mais prometido de Primavera

Passado rimava com véu e lençol e manto

Do teu corpo, do teu abraço.

Imaginado, dado, sonhado.

Passado.

Pedido.


Perdido.

E se te ouvia no já

Tremia

Do negrume

Da queima roupa

Despida que fiquei

Na dor do que acabou

Partido. 

11.2.25

Ando com medo de escrever.

Se a tinta revelar o medo.

Se a tinta revelar o terror.

como volta a respirar o meu coração 

se o pulmão não bate.