Era uma vez um instante.
Não era um instante qualquer, era um instante que respirava, que tinha vida e alma e querer.
Não era fácil ser um instante.
Mas era uma vez um instante.
Esse instante encontrou-se no meio dos olhos dele e dos olhos dela e depois, no meio das mãos dele e das mãos dela e dos lábios dele e dos lábios dela e entalado pelo corpo dele e o dela.
Esse instante já tinha sabor e cor e cheiro mas não tinha nome.
O instante sem nome era o seu nome.
E o instante podia rebentar qual bola de sabão ou transformar-se qual casulo.
E ele respirava e tinha vida e alma e querer e ele e ela não contavam para nada.
O instante era tudo e tudo era o instante.
E foi assim, sem saber o seu nome, nem o que fazer de si que do instante nasceu o para sempre.