30.12.12


Falling in love. Falling apart.

Wishes de solidão.


Quando eu consigo mas não quero viver sem ti.

18.12.12


Tired. Just so tired.

14.12.12

Inside


Há uma serenidade imensa na serenidade.
É, assim de repente, um vazio cheio.
Um contentamento também na ausência, uma paz que se calhar só podemos sentir connosco próprios.
Sozinhos.
Será a serenidade a pureza da solidão? De uma solidão rica.

De onde nos vem, como deixamos que parta, como fazê-la permanecer?
Dezembro é um mês de convulsões que não são mais do que a vitória da minha alma.



Quantos segredos cabem no pretérito imperfeito?


Se me puderes ouvir

O poder ainda puro das tuas mãos
é mesmo agora o que mais me comove
descobrem devagar um destino que passa
e não passa por aqui

à mesa do café trocamos palavras
que trazem harmonias
tantas vezes negadas:
aquilo que nem ao vento sequer
segredamos

mas se hoje me puderes ouvir
recomeça, medita numa viagem longa
ou num amor
talvez o mais belo 


Tolentino Mendonça

13.12.12

E na Primavera tacteiam-se caras para nunca mais esquecer e descobrem-se gargalhadas e passeia-se descalço e de mãos dadas.
Na Primavera vivem-se retalhos que se guardam mas que nunca se querem deixar de viver.
Primavera. Presente.



"Eu sabia que seria apenas depois de te teres ido embora que iria perceber a completa extensão da minha felicidade e, alas! o grau da minha perda também. Ainda não a consegui ultrapassar, e se não tivesse à minha frente aquela caixinha pequena com a tua doce fotografia, pensaria que tudo não teria passado de um sonho do qual não quereria acordar. Contudo os meus amigos dizem que é verdade, e eu próprio consigo-me lembrar de detalhes ainda mais charmosos, ainda mais misteriosamente encantadores do que qualquer fantasia sonhadora poderia criar. Tem que ser verdade. Martha é minha, a rapariga doce da qual todos falam com admiração, que apesar de toda a minha resistência cativou o meu coração logo no primeiro encontro, a rapariga que eu receava cortejar e que veio para mim com elevada confiança, que fortaleceu a minha confiança em mim próprio e me deu esperanças e energia para trabalhar, na altura que eu mais precisava. 


Quando tu voltares, querida rapariga, já terei vencido a timidez e estranheza que até agora me inibiu perante a tua presença. Iremos sentar-nos de novo sozinhos naquele pequeno quarto agradável, vais-te sentar naquela poltrona castanha , eu estarei a teus pés no banquinho redondo, e falaremos do tempo em que não existirá diferença entre noite e dia, onde não existirão intrusos nem despedidas, nem preocupações que nos separem. A tua amorosa fotografia. No início, quando eu tinha o original à minha frente não pensei nada sobre a mesma; mas agora, quanto mais olho para ela mais esta se assemelha ao objecto amado; espero que o rosto pálido se transforme na cor das nossas rosas, e que os braços delicados se desprendam da superfície e prendam a minha mão; mas a imagem preciosa não se move, parece apenas dizer: «Paciência! Paciência” Eu sou apenas um símbolo, uma sombra no papel; a tua amada irá voltar, e depois podes negligenciar-me de novo». Eu gostaria imenso de colocar esta fotografia entre os deuses da minha casa que pairam acima da minha secretária, mas embora eu possa mostrar os rostos severos dos homens que reverencio, quero esconder a face delicada da minha amada só para mim. Vai continuar na tua pequena caixinha e eu não me atrevo a confessar a quantidade de vezes, nestas últimas vinte e quatro horas, que tranquei a minha porta para poder tirar a fotografia da caixa e refrescar a minha memória. Carta de Sigmund Freud a Martha Bernays, 19 de Junho 1882 (excerto)"


A Primavera no ar no mês de Dezembro.

Beijo

Beijos.
Sofridos.
Soprados.
Roubados.
Demorados.
Tristes. Frios.
Apaixonados.
De principio, de adeus.
Beijos. Um universo de voos e quedas.

12.12.12

Shhhhh


O silêncio é um amparo
Evitam-se as convulsões
Das temperaturas altas
Tensões baixas
Num conflito dentro de um mesmo
Coração.

11.12.12

Ensaios

Telas brancas.
Páginas brancas.
Lençois.
Sem ensaios, afogamos cores, matamos almas, choramos a morte.
Assim os dias de cinzas.

10.12.12

A...


Sombras
Fantasmas sem vestes
Soou-me o eco da tua voz
Longe
Com coração
Medo
Das roupas escuras
Adeus
Porque a vida não tem
Perdão.

9.12.12


Assustador o caminho que se começa na esperança de retomar ao princípio.

8.12.12

Teus braços


Areia por entre os dedos
Corria
Molhou os pés
Acordar
Deixar-se cair
Teus braços
Meu mundo
Tanto caminho a andar e
Tanto vento
Se me deitar na areia a ouvir o mar
O vento me leve
Leve, leve
O mar chegou
Deixou-se ir qual encanto de sereias.

7.12.12

Virgem


Uma folha branca
Esta é minha
Há muito tempo não via uma folha branca
Minha
Perdi lhe o jeito, o feito
O desejo
Mas quando vi cair
Do teu rosto, do teu rosto sereno
De medo
De futuro
De passado
Quando vi cair flocos
Flocos, flocos de neve
Que se amontoavam no chão
E voavam ao vento
Senti falta da companhia
Do alento da minha folha branca
Do tempo em que tinha tempo
Tempo de mim
Tempo de letra a letra limpar a minha alma
E como quem toma um café quente
Partilha a vida e limpa as lágrimas.

5.12.12


Conta-me



Há segredos nos ramos. Silêncios que nos abraçam. Verdades que nos arranham. Cheiros que nos perseguem.
A velocidade com que mudam de cor, de consistência, de face, de alma.Podemos nem os ver ou cegar ao olhá-los.Se hoje visse o ramo certo bebia um chá com ele.