Não sabia dar xoxos.
Sempre estivera com homens comprometidos, o beijo era já sexo.
Não sabia dar xoxos nem despir-se lentamente.
Por cada palavra um suspiro de recreio.
Sempre foram suas as folhas de papel mas nunca as palavras.
As palavras eram roubadas sem data para devolução, sem pena, só com risco.
A prisão era outra, a do receio.
Em cada escolha ficava tanto por dizer, tudo por escrever.
Havia um ar sombrio em quase tudo o que sentia, e depois, havia um ar inocente em tudo o que sentia.
O tempo, a vida, acontecia no recreio dos desafios.