30.4.20

On a mission


Como se viesse de outros países
Como se voltasse aos sabores de casa
Como se fosse nua
Despojada
Abandonada
tropeçando ao sabor do vento
Para cair no teu colo de sede.

14.4.20

   Saltitavam perdidas
   Numa roda sem saída
   As meninas de saias rodadas.
Os dias nascem novos.
Os dias crescem novos.
Os dias morrem novos.
Só ontem e amanhã têm tempo.

13.4.20
















Era no silencio que se ouvia.

10.4.20

De todos os cantos
era o da solidão que conseguia ouvir
em rima.

8.4.20

Territorial


   Querer
   O terror do verbo querer
   quem quer não tem
   Não ter é terror
   assim no amor
   assim.

1.4.20

Voltar à caneta nos dias em que os papeis prendem o virus por horas infinitas.
No tempo em que o tempo se conta à velocidade de uma ampulheta entupida.
Quando os meses parecem feitos de anos.
E sossego é o intervalo do aperto e este não tem fim.
Voltar à caneta só porque é um conforto, um consolo e não há mais nada que possa fazer.
Como a ampulheta entupida, dezenas, centenas, milhares de coisas que gostava de fazer, por ti, por ele e por ele e por ela e ela e todos.
Mas estou entupida pela fechadura da porta.

As estações voavam lá fora
Não sabiam os dias nem os meses
Só voavam
Vinham e iam sem plano
Não havia planos
Havia espera
Um mundo em hold.